Monumento esculpido pela natureza ao longo de milhares de anos, as Buracas do Casmilo, localizadas na freguesia do Furadouro, exigem uma visita atenta.
O que se vê é o resultado do abatimento da parte nuclear de uma conduta – fenómeno espeleológico que tem o nome de incasão – que deixou a descoberto as partes laterais extremas, remanescentes da gruta que antes se ocultava dentro do monte.
Se ao visitante comum as Buracas, ladeadas pelo monte da Senhora do Círculo e pela Serra de Janeanes, impressionam pela sua imponência mais parecendo bocas prontas a engolir os mais curiosos, os praticantes de orientação, montanhismo, rappel e escalada olham para este local como um desafio pronto a vencer. Não é por acaso que as Buracas são o ex-líbris da escalada da região Centro com mais de 60 vias identificadas com diversos graus de dificuldade.
Local de grande valor ecológico, científico e paisagístico situa-se em parte do vale percorrido pela ribeira de Cernache, um afluente da margem esquerda do rio Mondego. A reserva abrange uma área de 535 hectares que compreende a zona de paul propriamente dita – que ocupa cerca de 150 hectares – e toda a zona envolvente, quer florestal (pinheiro bravo, eucalipto) quer agrícola (olival, vinha, hortas, pomares e arrozais).
Este mosaico oferece um leque variado de condições de alimentação às espécies que ali habitam ao longo do ano. É nesta paisagem feita de águas estanques, onde crescem caniço, bunho e junco, que várias espécies animais – algumas ameaçadas pelo perigo de extinção – encontram refúgio.
Local de reprodução da lontra, espécie rara e protegida, é também um reduto importante ao nível da avifauna. Comunidades de aves utilizam a reserva quer como local de nidificação, quer como refúgio de inverno ou, ainda, como área de repouso e alimentação durante as migrações.
Da variada população contam-se 140 espécies de aves recenseadas onde se inclui a garça-vermelha (símbolo da reserva), o pato-real (Anas platyrhynchos) e a cegonha-branca (Ciconia ciconia), 21 espécies de mamíferos, 11 espécies de répteis, 8 de anfíbios e 15 de peixes.
A Reserva Natural reparte-se pelas freguesias de Arzila, Pereira e Anobra, pertencentes aos concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho e Condeixa-a-Nova, respetivamente. O Centro de Interpretação situa-se na povoação de Arzila.
A integrar também a paisagem cársica do vale das Buracas do Casmilo, os lapiás são um fenómeno geológico singular com origem na infiltração e consequente ação corrosiva da água da chuva sobre o calcário. São extensas zonas de rocha a descoberto, com arestas salientes e vivas que se tornaram num verdadeiro “deserto de pedras”.
Nas zonas de maior declive como as encostas, os sulcos e a estrias na rocha denunciam a direção do escorrimento das águas. Cada lapiá pode ter entre 30cm a 40cm de altura.
A estrutura de passadiços em plástico reciclado, ao longo das margens do Rio dos Mouros, permite ligar a cascata, umas das principais atrações do património natural do concelho de Condeixa-a-Nova, à Ponte das Ruínas, junto às Ruínas de Conímbriga.
A intervenção encontra-se interligada territorialmente pela PR2 Rota de Sicó, que efetua a ligação entre o Maciço Calcário de Sicó (aldeia do Casmilo) ao geomonumento mais relevante presente no limite setentrional - o Canhão Fluviocársico do Rio dos Mouros - com passagem por aquela que é uma marca da paisagem da Serra de Sicó, o Moinho do Outeiro (Serra de Janeanes), implantado a 372 metros de altitude.
Este investimento, complementado com a futura reabilitação da Casa do Casmilo e a já concluída recuperação do Moinho do Outeiro, permite garantir o apoio à visitação e o aumento da acessibilidade a todos os públicos ao que é hoje uma das principais atrações do património natural do concelho de Condeixa-a-Nova - a Cascata do Rio dos Mouros - mas, acima de tudo, percorrer o Canhão Fluviocársico, na sua área mais imponente, complementando, assim, a Rota de Sicó já instalada.
Duração: 20 minutos
Distância: 770 m
Início: Ponte junto às Ruínas de Conímbriga
Término: Cascata do Rio dos Mouros
Local de eleição dos amantes do Turismo de Natureza, a Cascata do Rio dos Mouros permite observar, durante o inverno e a primavera, a fantástica queda de água proveniente do Canhão Fluviocársico do Rio dos Mouros (garganta profunda e estreita), que percorre o vale desde a aldeia do Poço até às Ruínas de Conímbriga (ruína arqueológica classificada como Monumento Nacional).