Caminhar contra o cancro da mama
O cancro da mama é curável em 90 por cento dos casos, se detectado numa fase inicial. Alertar para a necessidade de um diagnóstico precoce foi o objectivo da caminhada.
Apesar do mau tempo, mais de uma centena de pessoas associaram-se, em Coimbra, à caminhada contra o cancro da mama, uma iniciativa que pretendeu alertar para a importância de um diagnóstico precoce na luta contra a doença.
A Praça da República era o ponto de encontro para caminhada, que terminou no Parque Verde do Mondego, e, a pouco e pouco, o grupo de pessoas que se associou à iniciativa foi aumentando. Equipados com guarda-chuvas e impermeáveis, os participantes, mulheres e homens, envergavam também as t-shirts com o slogan alusivo à iniciativa – “dê mais tempo à vida” –, enquanto se preparavam para iniciar a caminhada e enfrentar a chuva.
E, além da presença das muitas mulheres que sobreviveram ao cancro da mama, muitos dos presentes pretenderam apenas associar-se, por solidariedade, à caminhada. Como foi o caso de um grupo de sete mulheres que se deslocaram de Condeixa-a-Nova apenas para se associarem “a uma boa causa”, como explicou Isabel.
Promovida pela Sociedade Portuguesa de Senologia e pelo Movimento Vencer e Viver, da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a MamaTour, a designação dada à caminhada, decorreu ontem em simultâneo, e pela primeira vez, em 13 capitais de distrito.
O objectivo foi “alertar a população para a necessidade de fazer um rastreio e um diagnóstico precoce da doença, que é a primeira causa de cancro na mulher”, realçou Helena Gervásio, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia.
De acordo com Helena Gervásio, o rastreio ao cancro da mama, através de mamografias, deve ser feito a partir dos 45 anos e até aos 69 anos, porque é a idade em que se verifica uma maior incidência da doença. No entanto, “a doença pode aparecer mais cedo e mais tarde”, afirmou a especialista, lembrando, por exemplo, que a existência de antecedentes familiares “aumenta o risco e essas mulheres deverão, muito mais precocemente, ter cuidado com a sua situação e fazer uma vigilância mais apertada”.
“Se o cancro da mama for diagnosticado em estadios iniciais é curável em 90 por cento dos casos” afirmou ainda a directora do Serviço de Oncologia Médica do Instituto Português de Oncologia.
“Se tivermos cuidados, se formos a tempo, continuamos a viver, é isso que queremos comunicar a todas as senhoras com mais de 45 anos”, afirmou também Helena Silva, do Movimento Viver e Vencer. “E o testemunho que damos é que estamos vivas, continuamos a nossa vida normal”, salientou, lembrando que foi operada há nove anos.
Apoiar as mulheres
O Movimento Viver e Vencer, da Liga Portuguesa Contra o Cancro, é constituído por mulheres mastectomizadas que voluntariamente prestam apoio a outras mulheres que são afectadas pela doença. “Recebemos as mulheres diariamente na Liga, entre as 10H00 e as 17H00, mas também prestamos apoio no Instituto Português de Oncologia e na Maternidade Bissaya Barreto”, explicou La Salete Bastos, coordenadora do Movimento Viver e Vencer na região Centro. “Prestamos todo o apoio afectivo que é necessário à mulher e quando ela faz a grande cirurgia oferecemos a primeira prótese”, exemplificou a responsável.
O movimento conta também com o apoio de voluntários que são alunos da Faculdade de Farmácia e da Escola Superior de Educação de Coimbra, que ontem recebiam as inscrições para a caminhada e vendiam as pulseiras e t-shirts e entregavam folhetos. Ao elogiar a acção dos estudantes voluntários, La Salete Bastos realçou também a “importância de sensibilizar as camadas mais jovens”.