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16 de Outubro de 2006

MEDULA ÓSSEA - “Angariados” mais 26 dadores em Condeixa

O quartel dos Bombeiros Voluntários de Condeixa acolheu uma acção de sensibilização para a doação de medula óssea. O registo português conta com mais 26 potenciais dadores.

“Olá, bom dia! Já preencheu a ficha de inscrição? Não? É simples. Vou explicar-lhe”. O cumprimento, as perguntas e a explicação, feitos por Maria Fátima Pires, técnica superior do serviço social do Centro de Histocompatibilidade do Centro (CHC), repetem-se sempre que alguém surge à porta daquela sala do quartel dos Bombeiros Voluntários de Condeixa.

O espaço é relativamente grande e está ocupado por algumas cadeiras e mesas. Em frente à porta, do outro lado da sala, uma cadeira grande, de um tecido vermelho escuro, destoa de tudo o resto. Como a mesinha, ao lado, onde estão cuidadosamente colocados os frascos e as seringas que vão permitir recolher um pouco de sangue e inscrever mais algumas pessoas no Registo Português de Dadores de Medula Óssea, criado em 1995 com a designação de Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDACE).

“As probabilidades são muito escassas, mas quantos mais houver, maiores são as probabilidades”, diz Maria Fátima Pires. Passa das 11H00 e o registo português, que tem cerca de 50 mil pessoas inscritas, aumenta. A esta hora, conta com mais 18 pessoas. Ao todo, foram 26 os potenciais dadores “angariados” entre as 09H00 e as 13H00 de domingo passado, numa acção de sensibilização promovida por um particular e acolhida pelo bombeiros locais.

Foram sobretudo jovens, entre os 18 e os 28 anos, os que responderam ao repto lançado por Paulo Centúrio, que resolveu promover a acção, em conjunto com aquela corporação de bombeiros. Tem uma filha que aguarda, há dois anos, um dador compatível que lhe permita fazer um transplante de medula óssea e esta iniciativa foi uma das formas que encontrou para “pedir ajuda”. “Mas também para mobilizar e divulgar a doença”, explicou, ao DIÁRIO AS BEIRAS, Paulo Centúrio.

O resultado deste tipo de iniciativas e dos apelos que têm sido feitos pelos três centros de histocompatibilidade nacionais – Norte, Centro e Sul – têm permitido aumentar o registo português. “Está a começar a dar os primeiros passos”, refere Maria Fátima Pires, contando que há muitas pessoas que se dirigem ao CHC, que se situa nos Hospitais da Universidade de Coimbra, para se inscrever no CEDACE, mesmo sem estar em curso qualquer iniciativa nesse sentido. “Quantos mais dadores, mais probabilidades”, insiste a técnica, enquanto entrega mais uma ficha de inscrição.

A preencher a ficha estão já Marta Peça, Pedro Peça e João Guerra, de, respectivamente, 26, 21 e 23 anos. Já o haviam feito – a ficha pode ser adquirida através da internet, em www.histocentro.min-saude.pt ou www.chsul.pt – e foram ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Condeixa para que lhes fizessem a recolha de sangue. “É mais fácil do que sermos nós a ir durante o horário de trabalho” ao CHC, explica Marta Peça.

As inscrições feitas no domingo, tal como as que já existem e as futuras, constarão do CEDACE até a pessoa cumprir os 55 anos. Qualquer alteração, sobretudo de morada ou contacto, deve ser comunicada ao centro para não dificultar um contacto que venha a ser efectuado.

Os potenciais dadores de medula óssea têm que ter entre 18 e 45 anos, ser saudáveis, ter um peso mínimo de 50 quilos e nunca ter recebido uma transfusão de sangue. Os interessados podem ainda contactar um dos três centros de histocompatibilidade: Norte, pelo telefone 22 5573470; Centro, pelo telefone 239 480700; ou Sul, pelo telefone 21 7504100.

Algumas informações

Leucemia

A produção de glóbulos brancos fica descontrolada e o funcionamento da medula óssea saudável torna-se cada vez mais difícil. A doença não é hereditária nem contagiosa.

Transplante

Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade tecidual entre dador e receptor.

Compatibilidade

Actualmente a transplantação de medula óssea é uma prática corrente, mas só cerca de 25 por cento dos doentes têm um dador familiar compatível. Os restantes que têm de recorrer a dadores não aparentados.

Doar

Existem duas formas de doação. O dador faz um tratamento com injecções subcutâneas de uma substância chamada factor de crescimento para aumentar a produção de células progenitoras de medula, sendo depois as células colhidas; um aparelho remove apenas as células necessárias para o transplante, devolvendo novamente as restantes células e plasma ao dador. A alternativa é fazer uma colheita das células a partir dos ossos pélvicos, com anestesia geral.

Custos

Todos os actos médicos e restantes custos envolvidos na doação são cobertos pelo subsistema de saúde do doente.

Regeneração

A medula regenera-se completamente em duas semanas, podendo repertir-se o processo de doação.

Depoimentos

“Linfoma de Burkitt

Tinha 16 anos quando me foi diagnosticado um Linfoma de Burkitt. Fiz 8 sessões de quimioterapia (em todas as sessões tinha de ficar internada para receber tratamento). Neste momento, tenho 27 anos e nunca mais tive nada. Acreditei em Deus e em toda a equipa que me acompanhou no serviço de Oncologia do Hospital Garcia de Orta. A eles o meu muito obrigado, pois foi graças a eles que voltei a sorrir e a ter uma vida normal. Obrigado!

14 de Fevereiro de 2006

“Agora só quero viver um dia de cada vez...

Estava em Dezembro de 2004, levantei-me já tardíssimo quando a minha filha notou um pequeno inchaço na zona do pescoço. Não fiquei assustada, achei que aquilo não era nada e que de resto iria passar. Em Janeiro, numa consulta de rotina de ginecologia, o médico manda-me fazer uns exames incluindo as partes moles do pescoço. No entanto, deixei passar alguns meses pois como não me doía nada também nada temia. Em Abril fui a uma consulta particular, pois nessa altura já não conseguia explicar o cansaço que sentia. Não queria acreditar eu estava com uma doença considerada grave e por vezes fatal... no mês de Maio de 2005 foi-me diagnosticado LNH. Fiz 6 ciclos de quimioterapia, mas não era tudo, pois em Julho sou confrontada com um carcinoma na mama. Mas consegui, com muita força, levar tudo para a frente com apoio da minha família, filhos e amigos, e esses foram muito importantes para mim. Em Dezembro 2006 fiz todos os exames e estou bem. Agora só quero viver um dia de cada vez.... e agradecer a todo o pessoal do IPO.

03 de Fevereiro de 2006

“E quase nem se lembra que tem uma doença....

No dia 14 de Fevereiro de 2005, dia dos namorados, eu e o meu marido com 30 anos, recebemos a noticia de que ele tinha uma leucemia mielóide crónica (LMC). Após dois meses de Glivec, as dores eram insuportáveis e tememos o pior. Mas ele conseguiu superar as insónias, as dores musculares e os suores nocturnos. Agora, passados alguns meses, já se habitou à medicação e quase que nem se lembra que tem uma doença que, se Deus quiser, não vai ser mortal. Para todos um grande beijinho e não desistam. Rezem e sejam positivos!

Novembro de 2005

“Tenho leucemia desde 1997

Fiz tratamento durante 3 anos com interferon Alfa e, em 2000, submeti-me ao transplante de medula óssea. Estava tudo bem até que em Novembro de 2004 a doença voltou. Hoje faço tratamento com o Glivec, tomando uma dose de 600 mg/dia.

Mas, apesar de tudo, estou bem fisicamente e psicologicamente. Eu creio muito em Deus e sei que Ele tem um propósito em minha vida. Estou confiante de que tudo dará certo.

Depoimentos retirados do sítio na internet da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (www.contraleucemia.org)

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