Pais querem melhores condições para enriquecimento curricular
Os pais e encarregados de educação dos alunos da Escola do 1.º Ciclo de Condeixa-a-Nova realizaram ontem uma manifestação junto ao estabelecimento de ensino, exigindo refeições, transportes e melhores condições para os filhos.
Não sendo fácil de perceber, é simples explicar que o estabelecimento de ensino, inaugurado há cerca de três anos, foi construído sem cantina e ginásio porque as turmas passariam a funcionara em horário duplo, ou seja, uma parte dos alunos teriam a suas de manhã e os outros à tarde. Este tipo de regime dispensa o agrupamento escolar de fornecer as refeições às crianças, uma vez que iriam para casa depois das aulas, ou chegariam à escola já almoçados.
O problema coloca-se a partir do momento em que o Governo instituiu as actividades de enriquecimento curricular, obrigando os alunos a passar o dia fora de casa, mas esquecendo-se das componentes refeição e transportes.
De acordo com o presidente da Associação de Pais da EB1 de Condeixa-a-Nova, Francisco Rodrigues, as crianças têm aulas de manhã e depois, umas vão a casa almoçar enquanto as outras, inscritas no ATL da Misericórdia, são transportadas por uma carrinha da Santa Casa e tomam a refeição na instituição.
Depois regressam à escola para as tais actividades de enriquecimento curricular, num prazo que é considerado muito curto pelos encarregados de educação «não proporcionando um período de almoço minimamente tranquilo às nossas crianças».
Mais grave é o facto das actividades de educação física terem que ser realizadas no pavilhão municipal, no outro extremo da vila, para onde os alunos do 1.º Ciclo têm que se deslocar, apesar da EB 2,3 ter uma estrutura idêntica “paredes meias” com a sua escola.
Numa carta endereçada ao Ministério da Educação, à Câmara de Condeixa, à DREC (Direcção Regional de Educação do Centro) e à sede do Agrupamento, os encarregados de educação explicam que a presidente do Conselho Executivo, em reuniões realizadas a 22 e 25 de Setembro, «afirmou que é de todo impossível fornecer refeições e que, por indisponibilidade do pavilhão desportivo (…) os alunos do 1.º e 2.º anos de escolaridade têm que se deslocar para o pavilhão desportivo».
Em três pontos, constantes da missiva, são explicadas as medidas exigidas, nomeadamente a alteração do regime de excepção da escola, passando a fornecer refeições aos alunos, a «criação ou recuperação de espaços para colmatar a exiguidade dos existentes» e a sugestão de aproveitamento das instalações da antiga escola C+S, «actualmente devoluta».
Na acção de ontem, perfeitamente ordeira e pacífica, os pais e encarregados de educação quiseram marcar uma posição, concentrando-se durante cerca de uma hora em frente à escola antes de se deslocarem à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, onde entregaram a carta a Jorge Bento.
O autarca disse ao Diário de Coimbra estar confiante de que poderá ser encontrada uma solução «localmente», independentemente da resposta do Ministério, mas mostrou-se algo agastado pelo facto dos pais terem tomado a iniciativa de uma manifestação antes do diálogo.
«O que eu disse (a Francisco Rodrigues) é que, em primeiro lugar, antes de fazerem manifestações, fazem-se reuniões formais», lembrou Jorge Bento, frisando que «convém perceber que a Câmara tem uma colaboração facultativa e voluntária, no espírito que sempre tem tido com instituições do concelho».
Jorge Bento sublinhou várias vezes que a autarquia «não está a violar nenhuma norma e se colaborar fá-lo-á voluntariamente», mostrando-se confiante de que «isto é uma questão que com alguma calma se pode melhorar».
(diário de coimbra)
