Câmara de Comércio Portugal - China quer ser um interface útil para realização de negócios entre pequenas e médias empresas de um e outro país. A sede é em Condeixa-a-Nova
A criação de um fundo de investimento para os sectores agro-alimentar e do turismo, com um valor inicial de 10 milhões de euros, e a operacionalização de uma plataforma on-line de promoção e venda de produtos portugueses muito apreciados na China - do vinho ao azeite, do vestuário ao calçado - são dois dos projectos em que já está a trabalhar a recém-criada Câmara do Comércio Portugal-China PME (CCPC-PME).
Com foco nas pequenas e médias empresas que pretendem exportar e importar de e para a China, a organização decidiu instalar a sua sede em Condeixa-a-Nova, no centro do país mas fora dos grandes centros económicos, e foi lá que ontem foram empossados os primeiros corpos sociais.
Na cerimónia, realizada no Museu PO.RO.S, o presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita, congratulou-se com a escolha. «É para nós um grande orgulho e uma honra receber uma Câmara de Comércio que se dedica a um mercado de grande dimensão como é o da China [com 1,4 biliões de habitantes]».
«Condeixa foi uma escolha nossa por ficar no centro do país e numa zona menos desenvolvida, onde penso que a nossa iniciativa pode ser mais valorizada», justificou Y Ping Chow, presidente da CCPCPME e presidente da Liga dos Chineses em Portugal.
«Espero que funcione como plataforma de ligação entre as PME portuguesas e o mercado chinês, que como sabemos é imenso. A Câmara de Condeixa está disposta a ajudar, juntamente com a CIM Região de Coimbra, que tem não só uma grande diversidade de empresas mas também conhecimento, nomeadamente através da Universidade de Coimbra, para oferecer», disse aos jornalistas, à margem da sessão.
A cerimónia de ontem formaliza uma estrutura constituída no início de Maio, numa altura em que a China, onde o vírus foi pela primeira vez diagnosticado, a Europa e todo o mundo vive uma crise sanitária de incalculável impacto económico. Nuno Moita reforçou que «o facto de o vírus ter aparecido na China não deve pôr em causa a relação entre os países, antes pelo contrário, deve reforçar a interajuda, perante uma pandemia que foi global».
O impacto económico do Covid-19 é forte, «mas se não tomarmos medidas como esta, se não voltarmos a mexer na economia e no comércio será ainda maior», assumiu, considerando que a resposta mundial é positiva e trará «novas oportunidades e desafios à China, à Europa e a todos os países».
Y Ping Chow acredita que a CCPC-PME, criada em pleno contexto de crise pandémica, é a parceira ideal para as PME portuguesas e chinesas que buscam a internacionalização.
Além da estrutura executiva, a que preside Y Ping Chow, a organização possui uma estrutura estratégica, liderada por Bian Fang, CEO do Bison Bank, entidade financeira de capital chinês que opera em Portugal. «Estamos a tentar criar um fundo de investimento para o sector turístico e agro-alimentar, vamos criar uma plataforma de venda de produtos na China - já existem seis ou sete representações de cada província, mas podemos aumentar muito mais - e contamos com o apoio de vários escritórios de advogados para intermediar a resolução de problemas e apoiar no entendimento entre o empresário chinês e o português», revelou.