Comboio passou tangente a camião
Há menos de duas semanas, um comboio embateu contra um camião na passagem de nível de Pereira, provocando três feridos ligeiros. Ontem de manhã, no mesmo local, a tragédia ia-se repetindo quando um camião ficou imobilizado na linha, sem conseguir arrancar antes que o comboio chegasse.
Valeu o rápido alerta dado pela guarda da linha que fez com que o inter-cidades (que fazia a ligação entre Coimbra e Lisboa), que estava quase a passar abrandasse a velocidade e passasse praticamente colado ao veículo.
«Foi por pouco que não acontecia a mesma coisa», afirmou Arnaldo Nobre, de Pereira, manifestando o seu desagrado com a situação, facilmente resolvida com o previsto, mas atrasado, prolongamento da via-rápida que está “encalhada” em Arzila. Segundo Arnaldo Nobre, o camião foi obrigado a parar em cima da linha porque um outro veículo não lhe deu a prioridade prevista no Código da Estrada. O motor do camião desligou-se e o condutor já não o conseguiu pôr a trabalhar, tendo, no entanto, conseguido deixar descair um pouco o veículo de forma a permitir a passagem da composição. «A guarda da passagem de nível apercebeu-se e accionou o alarme», conta, sublinhando que o comboio quando chegou já vinha a uma velocidade muito reduzida e conseguiu passar muito próximo do camião.
A história teve um final feliz, bem mais do que aquele que aconteceu há menos de duas semanas no mesmo local, quando o choque entre um camião e um comboio foi inevitável. O problema não reside na passagem de nível, mas na falta de cuidado dos condutores, que insistem em não dar prioridade aos veículos que atravessam a linha, e no excesso de trânsito que diariamente passa por aquele local.
Via-rápida é solução
A solução, segundo este morador, passa pela conclusão da via-rápida que há muito está “encalhada” em Arzila e que permitiria diminuir o volume de trânsito dentro da vila de Pereira e, concretamente, na passagem de nível. «É (a via-rápida) o ponto essencial, a obra principal para resolver os problemas», defendeu.
Uma opinião partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia de Pereira, que entende que estas situações, como a de ontem ou a de há quinze dias, seriam evitáveis com a conclusão da estrada que ligará Coimbra a Montemor, via Pereira. «Se houvesse continuidade da estrada os carros pesados não passariam por lá (pela linha)», referiu António Pedro que há muito luta pela conclusão da obra, parada por ter sido chumbada pelo Ministério do Ambiente. «Pereira cresce loucamente e isso não é novidade nenhuma», afirma o autarca, justificando assim a ainda maior necessidade que a população sente de uma via que permita diminuir o trânsito dentro da vila.
Em construção está já uma passagem superior que deverá estar concluída, segundo o autarca, dentro de um mês. Uma obra que «vai minimizar um o problema do trânsito em Pereira, mas não vai resolver». António Pedro continua com esperança que a obra da via-rápida seja uma realidade, até porque essa não é apenas vontade das populações de Pereira e do concelho de Montemor, mas também dos municípios de Soure e Condeixa.