Conímbriga - Maravilha antes que qualquer outra
Por entre as 21 finalistas, Conímbriga é aquela que ainda esconde segredos por desvendar. O que se conhece, para já, permite colocar a antiguidade nas “maravilhas” que o país guarda.
Não haverá mistérios por revelar em mais nenhuma das restantes candidatas, a não ser em Conímbriga – a cidade romana reaparecida, agora, na forma da curiosidade turística. O concelho de Condeixa – e toda a região – aposta, desde o início da votação, na entrada da estação arqueológica romana melhor estudada em Portugal no lote de sete vencedor.
Até 7 de Julho de 2007, data da divulgação dos resultados, ainda haverá tempo para conhecer, ao pormenor, as virtudes e os (poucos) defeitos dos vários candidatos. Por isso, prosseguindo o périplo pelo país, a digressão das “7 Maravilhas” chega este fim-de-semana a Conímbriga, onde e provomove o concurso que tem concentrado as atenções dos portugueses.
Uma história sem memória
Conímbriga foi uma antiga cidade romana localizada na via militar que ligava Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga). É a estação arqueológica romana melhor estudada em Portugal. Entre os vários escavadores desta cidade há a salientar o nome de Virgílio Ferreira, que fez um estudo sistemático desta cidade.
Entre 1930 e 1944 (ano da sua morte), escavando toda a área contígua à muralha Leste, descobrindo, extramuros, umas termas públicas e três vivendas, entre as quais há a destacar a chamada Casa dos Repuxos, com uma área de 569 metros quadrados pavimentada de mosaicos e com um jardim central onde se conservava todo um sistema de canalizações com mais de 500 repuxos.
Enquadrada numa zona rural e assente num planalto em forma de esporão, a zona posta a descoberto desde finais do século XIX, comumente designada por “Ruínas Romanas de Conímbriga”, possui, com a cinta muralhada, cerca de 1.500 metros de extensão. Chegaria a ocupar um lugar central em pleno período orientalizante do Baixo Mondego, constituindo um dos principais oppida do Centro do país ao longo de toda a Idade do Ferro.
Firmada a conquista romana, a cidade beneficiou de um notório renovamento urbanístico de cariz vitruviano no tempo de Augusto, que desenvolver-se-ia sensivelmente até finais do século I d.C. Datarão, precisamente, desta época estruturas tão importantes quanto características da vivência do quotidiano citadino romano, como as termas públicas, o anfiteatro e o fórum, posteriormente ampliado com a edificação de uma basílica de três naves no período Júlio--Claudiano.
Foi, no entanto, durante as épocas antoniniana e severiana que se desenrolou toda uma renovação da denominada “arquitectura doméstica”, notabilizada, entre outros elementos, pela presença de insulae e de luxuosas domus com peristilum, das quais as mais impressionantes seriam, certamente, as casas dos Repuxos e de Cantaber. Todas estas edificações sobressaiam pela riqueza e profusão dos elementos decorativos perfeitos de abundantes pinturas murais, mosaicos e escultura.
Com o tempo, a evolução política do próprio Império Romano e as pretensões manifestadas por alguns povos indígenas e recém-chegados, houve a necessidade de dotar a urbe de uma faustosa muralha no século III d.C., que lhe reduziu consideravelmente o perímetro. Porém, a cidade sofreria diversas incursões suévicas ao longo do século V, cuja ocupação parece estar registada pelos indícios de uma basílica paleocristã, para a qual ter-se-á adaptado uma antiga domus.
Finalmente, por volta do século IX, a cidade acabaria por ser totalmente abandonada.
Concurso na recta final
Tudo começou com uma lista de 793 monumentos nacionais, classificados como tal pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
De braços unidos com o Ministério da Cultura e Região de Turismo de Portugal, sete especialistas – seleccionados pelo reconhecimento nacional pelo trabalho que efectuam nas suas áreas de trabalho e estudo académico – nomearam 77 monumentos.
Depois, um conselho de notáveis, composto por representantes de vários quadrantes sociais – arquitectos, historiadores, políticos, actores, sociólogos, engenheiros, empresários, gestores, artistas, jornalistas, economistas, cientistas, escritores, arqueólogos, professores, psicólogos, entre outros – escolheram os 21 monumentos finalistas. Essa escolha foi feita de acordo com critérios estabelecidos pelo painel de peritos, instituições e organismos que tutelam o património.
Agora, cabe aos próprios portugueses escolherem os sete vencedores.