Mira e Condeixa “geminadas” pela UAC
Mira e Condeixa-a-Nova são os dois primeiros concelhos a unirem-se na formação de uma nova associação apoiada pelo Governo. Objectivo: não deixar morrer o comércio tradicional e apoiar os comerciantes.
UAC – Unidade de Acompanhamento e Coordenação [dos municípios]. Mais uma sigla que nasce, cujo objecto é a gestão e coordenação de uma “espécie” de associação, que visa apoiar, dinamizar, modernizar e requalificar o comércio tradicional, principalmente nas zonas históricas das cidades, vilas, concelhos.
O nascimento desta nova entidade implicou a “morte” de outra também implantada pelo Governo, o projecto MODCOM – Modernização do Comércio, que o secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, Fernando Serrasqueiro, não teve dúvidas em considerar um fiasco.
Pelo menos foi o que ficou implícito na sua apresentação desta UAC, ao afirmar que o Governo gastou «20 milhões de euros numa primeira fase do MODCOM e outros 20 milhões numa segunda fase, e não houve nenhuma candidatura, o que é preocupante», revelou, apelando aos comerciantes para que aproveitem «as verbas que temos à disposição», neste caso para estas novas UAC, que vão ter, segundo o governante, «quatro milhões de euros» nos primeiros dois anos (1.ª fase) e outro tanto numa segunda fase. Isto, claro, se este programa vingar!
«Vamos financiar estas UAC’s durante dois anos para saber se os comerciantes concordam», explicou Fernando Serrasqueiro, anunciando que no caso de Mira vão ser investidos, para já, 180 mil euros.
Para já, Mira e Condeixa estão, por assim dizer, “geminadas” neste projecto, que vai ter uma coordenadora de gestão - Maria Joana - e, em cada município, a UAC tem um presidente que, no caso da autarquia mirense, será o vereador Miguel Grego.
«O comércio tradicional não tem conseguido introduzir a oferta à procura e isso é um desconforto para os pequenos comerciantes», sustentou Fernando Srrrasqueiro, explicando que estas unidades de acompanhamento e coordenação dos municípios vão promover vários programas e iniciativas para aproximar as populações às zonas comerciais, históricas, criar animação, vida…
«Temos financiamentos para 60 projectos de apoio ao comércio, para dar vida às áreas comerciais», revelou o governante, explicando que o objectivo das UAC’s é «trazer para a rua a gestão que há nos centros comerciais, uma gestão colectiva».
É por isso que Serrasqueiro garante que estas novas unidades vão ter um papel comercial muito importante por que, no fundo, as UAC’s vão ter um órgão (neste caso a coordenadora Maria Joana) que vai intermediar as acções, não só para a captação de clientes, mas também para a promoção e dinamização das áreas comerciais.
«É preciso trazer empreendedorismo às zonas de comércio», acentuou o governante, e para isso nada melhor que esta espécie de “condomínio”, onde coabitam as autarquias, que vão ter o apoio desta nova entidade, mas também da ACIC – Associação Comercial e Industrial de Coimbra, que integra o projecto.
Satisfeito ficou, obviamente, o autarca João Reigota, não só pela visita «de um destacado membro do Governo», que é sempre «uma honra» - e no caso de Serrasqueiro «dá mais um exemplo no interesse e na dignificação das iniciativas» que as autarquias promovem, congratulando-se com a parceria entre os dois concelhos (Mira e Condeixa).
«É preciso promover, modernizar, desenvolver e dinamizar o comércio e esta é, sem dúvida, a primeira missão da Unidade de Acompanhamento e Coordenação», concluiu Reigota.
As várias entidades presentes (e foram muitas), foram guiadas pelo executivo camarário à Mostra de Flores e Plantas e Feira dos Grelos, que ontem foi inaugurada, visitando cada um dos expositores.