Excepcionalidade e singularidade bastam para eleger Conímbriga
O carácter único das ruínas de Conímbriga apresenta-se como o principal argumento para que a cidade romana figure na lista das sete maravilhas de Portugal.
«São um dos monumentos mais importantes de Portugal e ponto final». Peremptório, Jorge Bento, presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, defende assim porque é que as ruínas de Conímbriga devem figurar na lista das sete maravilhas de Portugal, que serão conhecidas a 7 de Julho, em Lisboa. Com «total respeito e admiração» por todos os outros concorrentes e até monumentos que não figuram na lista dos 21 candidatos, e reconhecendo que «há outros de grande valor», o autarca não deixa de defender o candidato oriundo do seu concelho, apontando-lhe características únicas que justificam a eleição.
A «excepcionalidade» e a «singularidade» são, por si só, no entender do autarca, argumentos que justificam desde logo a eleição entre os “sete mais”. «É uma espaço arqueológico praticamente único em termos de dimensão, qualidade dos materiais expostos e em termos de contributo de tudo o que foi o período romano de Portugal», diz Jorge Bento, acrescentando o facto de a estação arqueológica ser um espaço com «grande potencial de estudo». Comparando com os restantes candidatos, e «reconhecendo o valor intrínseco de alguns monumentos a correr pelo título», o autarca não deixa de notar que semelhante a Conímbriga não há mais nenhum na lista. «A verdade é que a única peça absolutamente singular é Conímbriga», refere, afirmando que, neste caso, «não há hipótese de repetição».
Argumentos que justificam a sua convicção para a eleição. Reconhecendo que os monumentos que se localizam nos grandes centros urbanos terão mais hipóteses de eleição devido à massa populacional que os rodeia e que a eles está ligada, Jorge Bento lembra, contudo, que Conímbriga é dos locais históricos mais visitados a nível nacional. E como quem vota, vota em sete, é provável que, depois de escolher os candidatos que, geograficamente, estão lhe estão mais próximos, «se lembrem de Conímbriga por já lá ter ido».
Oportunidade
para relançar ruínas
Com ou sem lugar entre as sete maravilhas de Portugal, o autarca considera que estar na corrida é já um motivo de orgulho e até uma mais-valia, desde logo pelo «impacto» e pelo «falar de Conímbriga» que se tem assistido e que contribui para «vivificar» um espaço que «não está hoje tão valorizado como há alguns anos atrás». E explicando, o edil lembra que o grande público das ruínas de Conímbriga eram os estudantes, mas com a perda de importância do período da romanização nos programas escolares, também as ruínas perderam público e, consequentemente, «algum dinamismo». «Tornar a focar a atenção nas ruínas é sempre positivo», diz.
A eleição das sete maravilhas de Portugal configura, por isso, uma oportunidade para «relançar e vivificar Conímbriga e melhorar a sua integração com o meio envolvente». Um trabalho que, defende, implica uma parceria entre os vários actores (autarquia, Instituto dos Museus, Região de Turismo do Centro, entre outros) e «definir um programa de acção». «De costas viradas não vamos a lado nenhum», afirma, defendendo a definição de programas para captação de turistas e a construção de um espaço complementar a Conímbriga, que até já foi pensado pela autarquia, mas não teve direito a verba comunitária. De resto, e lembrando que a Universidade de Coimbra também figura na lista dos 21 candidatos, Jorge Bento defende uma política turística que integre toda a região, e «não isolacionista», já que a região é suficientemente rica e capaz para oferecer um pacote de oferta turística variado, que contemple desde as praias, a serra, a universidade ou os vários monumentos. «O que nós temos de fazer é dinamizar cada vez mais este património», afirma, sublinhando que esse trabalho já está a ser feito, e «bem feito», só que de uma forma «muito lenta» e «não à velocidade que o turismo enquanto actividade do século XXI justifica».
São 21 os candidatos, apenas sete ficarão na lista das maravilhas de Portugal, que será divulgada a 7 de Julho, em Lisboa, antes da divulgação das sete maravilhas do mundo. Até lá, argumenta-se a favor dos vários candidatos, na tentativa de colher o voto do cidadão, que é quem tem a palavra final.
Conímbriga, monumento nacional
As ruínas de Conímbriga são, nem mais nem menos, a principal estação arqueológica portuguesa e, até hoje, a melhor estudada em Portugal.
Sabe-se que a cidade foi ocupada pelos romanos nas campanhas de Décimo Junio Bruto, em 139 a.C, e no século I, no reinado do imperador César Augusto, sofreu importantes obras de urbanização, onde se destaca a construção das termas públicas e do Fórum. No século IV depois, com o declínio do império romano, é construída uma cintura muralhada com cerca de 1500 metros de extensão. Em 468 os Suevos assaltam a cidade que começa a desertificar, acabando por perder o seu estatuto de sede episcopal para Aeminium (Coimbra).
Em escavações de 1913 encontraram-se testemunhos da época do ferro, a eles podendo juntar-se peças de pedra e bronze que podem fazer recuar o início da povoação do local.
Quem vai a Conímbriga é convidado a visitar as 32 áreas da cidade romana identificadas. Entre o conjunto, destaque para a Casa dos Repuxos, com uma área de 569 metros quadrados pavimentada de mosaicos e com um jardim central onde se conservava todo o sistema de canalizações com mais de 500 repuxos, o Fórum, as grandes termas do sul, o edifício das Portas do Sol, entre muitos outros. Na mesma área, o Museu Monográfico de Conímbriga conserva o espólio encontrado durante as escavações na maior cidade romana em Portugal, consagrada como monumento nacional por decreto em 1910.